O QUE VOCÊ....? - Gritei com uma vontade imensa de dar-lhe uma lição contra seu abuso.
- O QUE? - James gritou no mesmo tom e olhou-me enquanto passa a mão por seus lábios.
- VOCÊ ME AGARROU! - Ainda gritando, dei um tapa em seu braço. Ficou vermelho por alguns segundos, mas sumiu rapidamente.
- AII! - James passou a mão no braço em que bati para diminuir a sensação de ardência - Não vem com esse tom de revoltada porque você retribuiu bem! - Ele dizia agora mais calmo, voltando ao tom de voz normal. O olhei incrédula, como ele podia dizer aquilo? Tudo bem, eu posso não ter resistido ao beijo por muito tempo e talvez tivesse esticado um dos meus dedos para acariciar seu rosto no calor do momento... Mas não era como se eu tivesse realmente cedido àquele tipo de invasão. Porque eu realmente não tinha. Agarrei a maçaneta do carro para abri-la e a porta, novamente, estava trancada. Tentei mais algumas vezes antes de lembrar-me de puxar o pino para destravá-la. Tentei puxar o mesmo mas estava bloqueado pela porta de James. Depois de mais algumas tentativas frustradas, quando finalmente desisti, virei-me para ele, que me observava em silêncio.
- Abre a merda dessa porta! - Tentei dizer sem gritar. James continuou quieto a olhar-me, esperei que ele fizesse algo, porém não moveu um músculo sequer - Eu quero sair desse carro, você abre essa merda dessa porta ou eu..
- Ou você..? - James cortou minha fala em um sinal para censurar-me, como se eu devesse pensar bem no que iria dizer. - Ah, vá ver se eu estou na esquina, seu colombiano prepotente e idiota! - Eu disse antes de pular em sua direção e esticar minha mão até o trinco das portas que ficavam ao seu lado no banco, para abri-las eu mesma. Nesse momento, quando meu tronco estava na altura de suas pernas e minhas mãos alcançaram os trincos, James segurou minha cintura com as duas mãos e, com certa facilidade, virou-me para si. Meus olhos demoraram um pouco para encontrar os seus em meio a toda aquela bagunça, mas quando consegui segurar seu olhar, James soltou-me e então meu tronco se fragilizou, caindo sobre o seu.
- Você não quer realmente sair... - Foi o que ele disse antes de buscar meus lábios com certa urgência. Não fiz muita coisa além de dar a ele todo o espaço possível. Pensei em me odiar por alguns segundos, mas James apertou minha cintura com uma das mãos enquanto mordia meu lábio inferior e eu tinha esquecido toda minha revolta. Passei meus dedos rápido pelo seu cabelo enquanto nossas línguas corriam juntas, James ameaçou quebrar o beijo, afastando-se de mim por um instante e sorriu satisfeito quando busquei seus lábios de volta. Continuamos assim por pelo menos mais um minuto, quando, sem muita vontade, James foi o primeiro a partir o beijo e parar suas mãos que corriam com rapidez por minhas costas. Quando nos separamos de vez, joguei-me no banco e levei uma das mãos até a cabeça.
- Que merda gigantesca - Foi o que eu consegui dizer enquanto tentar recuperar a coloração normal do meu rosto. Fechei meus olhos sem um pingo de coragem de olhar para James, ok... Eu não sou do tipo de mulher que fica com vergonha de beijar um cara que mal conhece, mas com o James eu não estava sendo eu... Digamos que eu comecei a procurar princípios em mim, por que havia achado nisso nele, e eu talvez eu quisesse, mas talvez não... Eu ainda não entendia o porquê ele tinha me beijado e muito menos o porquê de eu tê-lo retribuído com tanta avidez. Mantive as mãos no rosto enquanto me fazia a mesma pergunta milhares de vezes.
- Ok... Vitória - James começou, pude sentir seu olhar parado em mim e em meu constrangimento idiota - Se isso não foi uma retribuição, eu não sei qual é o real significado da palavra, por que sinceramente você beija muito bem e até aonde eu sei você não fica tão constrangida em beijar caras que você não conhece.
- Você andou pesquisando sobre a minha vida? - Perguntei ainda incrédula.
- Não, mas pelo pouco que David me contou de você, você não é do tipo de se apegar e talvez tenha sido isso que chamou-me tanta atenção em você.
- O que? o fato de você me achar uma puta? - Coloquei minhas mãos em meu joelho e apoiei minha cabeça ali mesmo. Eu estava me sentindo uma idiota e quase nunca me sinto assim... Quem era eu? E o que fizeram comigo?
- Não fica querendo me tratar mal agora não - Ele defendia-se - Não te obriguei a fazer nada!
- Mas quase isso - Tirei as mãos dos meus joelhos e suspirei - O que, exatamente, passa dentro dessa sua cabeça oca, James?
- Passa que você fica aí, se fazendo de durona, mas não é nada disso. Passa que você insiste em dizer e pensar que eu sou prepotente e acho que o mundo gira ao meu redor, mas a única egocêntrica aqui é você. - James jogou-se descansado em seu banco e virou sua cabeça deitada para olhar-me. Continuei séria, olhando para frente e fora dali porque na verdade eu nem prestava muita atenção no que ele estava dizendo.
- Para com isso... - Ele disse por fim buscando minha mão que estava jogada ao meu lado no banco. Tratei de levá-la ao meu colo antes que David a alcançasse. Ele instantaneamente rolou os olhos com esse gesto.
- E o que você espera que aconteça agora?! Que a gente se agarre mais um pouco antes de voltar para o apartamento de mãos dadas como se isso fosse a coisa mais natural do mundo? Eu posso ser o que for, mas isso foi fora do normal, ok? Eu bebo pra caralho, falo merda pra caralho e sou desbocada pra caralho, mas quando se trata disso aqui- apontei meus dedos para os nossos lábios- É meio complicado.
- Eu quero você, Vitória. - James disse olhando para frente, sem perceber muito o que eu falava.
- E como você tem tanta certeza disso? - Perguntei-lhe.
- Não sei, mas gosto de estar assim... Você me faz bem, é totalmente diferente de mim, mas me faz bem. - James concluiu sua tese olhando para os meus lábios, mas antes mesmo dele fazer algo a mais por ali, resolvi parar com aquilo já.
- Ok, me leva pra casa...
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