sábado, 21 de fevereiro de 2015

Perhaps by chance - 9

- você não acha um pouco bizarro essa sua atitude de vadia egoísta? - Perguntei descendo as escadas ao encontro da Érika que estava no balcão da cozinha, com as mãos levadas a cabeça. Ressaca.

- Bom dia também. - Murmurou

- Eu conversei com o David. - Fui em direção a cozinha e peguei meu iogurte, que por sinal estava sem a tampa. Eu podia jurar que o David tinha passado por ali, só por implicância. - Vocês foram bem rapidinhos, não é? - Dei um sorrisinho sarcástico só para irrita-la.
- Volta para Londres de que horas?  - Ela estava sendo aleatória, não iria querer contar sobre nada disso. Erika, agia sempre assim, eu já devia está acostumada com essa sua falta de comunicação.
- Meu voo é as 16hrs, mas eu acho que vou troca-lo. Tenho um compromisso! - Sentei ao seu lado e recebi um olhar de interrogação vindo de Érika.
 - Que tipo de compromisso? Por que daqui a pouco eu vou pra SporTK , e não poderei levar você até o aeroporto.
- Eu vou encontrar-me com o James... - Disse tomando um ultimo gole do meu iogurte e indo em direção ao sofá.
 - Depois eu que tenho atitudes de vadia egoísta...- Erika falou ironicamente jogando-se ao meu lado.
- Erika, por favor, né? - O olhei incrédula.
- O que?  - Perguntou-me como se fosse óbvio.
- Eu não fui pra cama com o James, se é isso que você imagina. Nós só nos beijamos e foi algo extremamente forçado. Ele me ligou umas zilhões de vezes pela madrugada e ainda me mandou mensagens, ele acha que estamos em um relacionamento.
- Eu não sei o que deu em mim, de verdade. - Falou jogando sua cabeça para trás. Erika aparentava está bastante aflita com toda essa situação, nunca agia assim... Na verdade, desde que somos amigas, eu que sempre fui a vadia egoísta da história. E ver Erika agindo assim, era algo completamente bizarro.
- Você tava movida à álcool amiga! - Falei dando batidinhas em sua perna.
- Mesmo assim, Meryelly, eu sempre bebi. Não daquela forma de ontem, óbvio. Mas, eu nunca fiquei daquela forma e nem agir feito uma imbecil, dormir com um cara que eu não conheço não é muito da minha índole e você sabe. - Apontou-me o dedo como se estivesse se justificando.
- Você não precisa se justificar...- Falei a confortando. - E também não é como se fosse o fim do mundo, não é Erika?
- Pra mim é .- Falou
- Você é muito certinha, por isso que não aproveita nada da vida. - Falei analisando minhas unhas e pude perceber que Erika me olhava com vontade de bater na minha cara.  - Eu te amo, mas é a verdade. - disse por fim.
- Eu acho que não é em relação a ser ou não ser certinha. Você conhece, sabe que mesmo que ente... - Erika foi interrompida com o toque do meu celular... E sim, era uma chamada, E sim, era do James.
- Caralho. - falei mais para mim do que para Erika.
- Atende, idiota. - Erika pegou o celular e estendeu para mim.
- Não, não tenho para falar com esse colombiano. - Falei jogando meu celular no chão, dei graças a Deus pelo tapete de Erika ser bastante amaciado, por que pela forma que joguei seria capaz de quebra-lo.
- Você tem sim, depois de ontem é que tem mesmo. - Erika levantou-se e pegou o meu celular. - Se não atender, eu atendo. - Falou por mim e atendeu a ligação. - Oi James...Sim... É, ela está aqui do meu lado.... Não, 16hrs.... Encontro? - Erika me olhou com o olhar de reprovação e balançou a cabeça negativamente. - Pode vim...Lembra aonde é? Isso mesmo...Ok...Aham...É...Ok....Por nada, bjs. - Erika desligou a ligação e me olhou irônica. - Se eu fosse você iria se trocar, por que o James está vindo aí.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Perhaps by chance - 8

Digamos que não demorou 15 minutos até que James me deixasse na frente do prédio da casa da Erika. Passamos todo o caminho calados e em cada sinal vermelho que parávamos ele me encarava como se quisesse obter alguma resposta... Mas eu não tinha nenhuma, não agora.
 - Acho que tá na minha hora. - Disse saindo do carro.
- Mery? - James puxou-me o braço para si.
- Sim? - O olhei incrédula. 
- Da próxima vez que você sair comigo, escova os dentes. - James finalizou e deu uma gargalhada jogando os seus braços para trás apoiando sua cabeça nelas.
- Vai te catar, James. - Sair bufando do carro e batendo os pés até o elevador. Subi até o 9º andar do prédio e fui em direção até o apartamento da Érika, eu não sabia exatamente se já tinha passado das 23hrs da noite, mas pude perceber que era bem tarde pelo simples fato de que todo o corredor estava silencioso, o que era bem bizarro. Abrir a porta do apartamento da Erika e encontro os tênis do David no meio da sala juntamente com os saltos da Erika, como eu já imaginava o que tinha acontecido fui em direção à cozinha apenas para beber um pouco de água e para processar o que tinha acontecido ali. Peguei um copo e o enchi com a água e logo depois disso, assim que me viro, encontro um David Luiz sem camisa e o cabelo mais escandaloso que já tinha visto.

(...)

- Nossa...- Disse olhando o físico do meu querido amigo.- Você tá bem, hein? 
- Isso são horas? - David cruzou os braços e encostou-se na porta da cozinha. - Aonde você estava e com quem? - Perguntou-me mais uma vez e aparentemente irritado.
- E você, Dadá ? O que faz aqui? Por que até aonde sei, quem mora aqui é a Erika e há proposito, cadê ela? E por que está sem camisa? - Deixei o copo com água de lado e me pus na frente do David na mesma posição que ele.
- Não responda as minhas perguntas com outras perguntas, Vitória ! - David apontou-me o dedo com autoridade, eu já estava me irritando com a forma em que ele me tratava. Eu não era uma criança, eu já sou maior de idade e sei muito bem me virar sozinha, não preciso de uma palmeira de 1,89 cuidando de mim.
- Tira esse dedo da minha cara, David. - Abaixei o seu dedo e fui em direção a sala.
- Não vai responder-me? - David seguiu meus passos e quando viu que não sairia nada da minha boca, jogou-se no sofá. - Ok, você ganhou, Vitória.- Disse levantando suas mãos para o alto como se estivesse se rendido de algo. - Eu fui pra cama com ela, por isso que estou aqui e ela está lá em cima dormindo. Finalmente conseguir colocá-la para dormir, essa mulher é absurda bêbada. 
- Por que foi pra cama com ela tão cedo ? - Perguntei mais para mim, por que pelo que conheço dos dois, eles não são desses tipos de coisas...Digo, eles são da linha "super corretos " e não eram de tomar todas e depois irem para cama com qualquer um.
- Por que você tá me fazendo essa pergunta? - David olhou-me confuso.
- Por que vocês não são disso. - Retruquei.
- Acho que por isso aconteceu. - O olhei confusa e rapidamente David correu para explicar-se. - Por que somos parecidos, nos entendemos do nosso jeito sabe? Ela é durona e eu sei lidar com isso.
- É, eu sei que você sabe... Todos sabem! - Falei olhando  para a grande janela que tinha em minha frente, onde pude ver que o dia já estava nascendo. 
- Todos? - Perguntou.
- James, me disse. - Falei
- James? Você o James estão se entendendo? - David deu um pulo no sofá e ficou de frente para mim.
- Ele me beijou, dadá. - Disse fazendo o mesmo que ele e colocando um bico de criança birrenta.
- O QUÊ? - David gritou.
- Fala baixo, imbecil... - Coloquei uma das minhas mãos em sua boca e me certifiquei de que não tinha acordado a Érika. - E foi só um beijo e um beijo sem compromisso, você sabe que eu não sou de me apegar....
- E por que você tá com esse brilho idiota nos olhos? - David tirou a minha mão de sua boca e se colocou novamente de braços cruzados para mim.
- Eu não tô com brilho idiota nenhum nos olhos, David. - Esfreguei meus olhos com as mãos.- Isso é sono.
- Meryelly, olha pra mim... - David falou e eu continuei esfregando os olhos. - MERYELLY, OLHA PARA MIM! - David ordenou e puxou meu rosto com as duas mãos para que olhasse para ele.
- O que é caralho? - xinguei apenas por implicância, David odiava quando eu agia como uma puta desbocada.
- Odeio quando você age como uma puta desbocada... - Falou largando meu rosto e jogando-se no sofá.
- David...- Levantei- do sofá e fiquei de frente para ele. - Foda-se ! - Falei e sair correndo para o meu quarto, deixando o David e suas perguntas por ali. Quando subi ao meu quarto, pude ouvir meu celular apitar lá de baixo da sala, acho que se ele não tivesse apitado eu não lembraria dele.
 -  É DO JAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAMES. - David gritou da sala, inconveniente... Eu aposto que ele tinha visto pra saber quem era. Desci as escadas com a maior cara de tédio do mundo e graças a Deus não encontrei o David por lá. 
Peguei meu celular para ler a mensagem e joguei-me no sofá... E realmente era do colombiano. 



          " Eu sei que você vai querer quebrar a minha cara, mas acho que precisaria fazer isso antes de dormir.... Quero te ver novamente e prometo não te agarrar, só se você não estiver tão linda como esteve hoje, porém como sei que é impossível.... Não te prometo nada, só me encontre amanhãs as 16hrs da tarde Parque Del Oeste . Você sabe onde fica? Se não souber, tudo bem, eu posso buscá-la. Boa noite,Vitória, até mais tarde. 

   Ps: Eu não aceito não e muito menos nunca como resposta. " 

       Alguém tem que ensinar para esse colombiano, que educação é uma coisa que vem de casa e respeitar a privacidade dos outros também... Eu iria aceitar este convite, só pelo simples fato de desafia-lo. Se ele queria uma joguinho, é um joguinho que ele vai ter.
 Pena que mexeu com a jogadora errada.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Perhaps by chance -7

O QUE VOCÊ....? - Gritei com uma vontade imensa de dar-lhe uma lição contra seu abuso.
- O QUE? - James gritou no mesmo tom e olhou-me enquanto passa a mão por seus lábios.
- VOCÊ ME AGARROU! - Ainda gritando, dei um tapa em seu braço. Ficou vermelho por alguns segundos, mas sumiu rapidamente.
- AII! - James passou a mão no braço em que bati para diminuir a sensação de ardência - Não vem com esse tom de revoltada porque você retribuiu bem! - Ele dizia agora mais calmo, voltando ao tom de voz normal. O olhei incrédula, como ele podia dizer aquilo? Tudo bem, eu posso não ter resistido ao beijo por muito tempo e talvez tivesse esticado um dos meus dedos para acariciar seu rosto no calor do momento... Mas não era como se eu tivesse realmente cedido àquele tipo de invasão. Porque eu realmente não tinha. Agarrei a maçaneta do carro para abri-la e a porta, novamente, estava trancada. Tentei mais algumas vezes antes de lembrar-me de puxar o pino para destravá-la. Tentei puxar o mesmo mas estava bloqueado pela porta de James. Depois de mais algumas tentativas frustradas, quando finalmente desisti, virei-me para ele, que me observava em silêncio.
- Abre a merda dessa porta! - Tentei dizer sem gritar. James continuou quieto a olhar-me, esperei que ele fizesse algo, porém não moveu um músculo sequer - Eu quero sair desse carro, você abre essa merda dessa porta ou eu..
- Ou você..? - James cortou minha fala em um sinal para censurar-me, como se eu devesse pensar bem no que iria dizer. - Ah, vá ver se eu estou na esquina, seu colombiano prepotente e idiota! - Eu disse antes de pular em sua direção e esticar minha mão até o trinco das portas que ficavam ao seu lado no banco, para abri-las eu mesma. Nesse momento, quando meu tronco estava na altura de suas pernas e minhas mãos alcançaram os trincos, James segurou minha cintura com as duas mãos e, com certa facilidade, virou-me para si. Meus olhos demoraram um pouco para encontrar os seus em meio a toda aquela bagunça, mas quando consegui segurar seu olhar, James soltou-me e então meu tronco se fragilizou, caindo sobre o seu.
- Você não quer realmente sair... - Foi o que ele disse antes de buscar meus lábios com certa urgência. Não fiz muita coisa além de dar a ele todo o espaço possível. Pensei em me odiar por alguns segundos, mas James apertou minha cintura com uma das mãos enquanto mordia meu lábio inferior e eu tinha esquecido toda minha revolta. Passei meus dedos rápido pelo seu cabelo enquanto nossas línguas corriam juntas, James ameaçou quebrar o beijo, afastando-se de mim por um instante e sorriu satisfeito quando busquei seus lábios de volta. Continuamos assim por pelo menos mais um minuto, quando, sem muita vontade, James foi o primeiro a partir o beijo e parar suas mãos que corriam com rapidez por minhas costas. Quando nos separamos de vez, joguei-me no banco e levei uma das mãos até a cabeça.
- Que merda gigantesca - Foi o que eu consegui dizer enquanto tentar recuperar a coloração normal do meu rosto. Fechei meus olhos sem um pingo de coragem de olhar para James, ok... Eu não sou do tipo de mulher que fica com vergonha de beijar um cara que mal conhece, mas com o James eu não estava sendo eu... Digamos que eu comecei a procurar princípios em mim, por que havia achado nisso nele, e eu talvez eu quisesse, mas talvez não... Eu ainda não entendia o porquê ele tinha me beijado e muito menos o porquê de eu tê-lo retribuído com tanta avidez.  Mantive as mãos no rosto enquanto me fazia a mesma pergunta milhares de vezes.
- Ok... Vitória - James começou, pude sentir seu olhar parado em mim e em meu constrangimento idiota - Se isso não foi uma retribuição, eu não sei qual é o real significado da palavra, por que sinceramente você beija muito bem e até aonde eu sei você não fica tão constrangida em beijar caras que você não conhece.
- Você andou pesquisando sobre a minha vida? - Perguntei ainda incrédula.
- Não, mas pelo pouco que David me contou de você, você não é do tipo de se apegar e talvez tenha sido isso que chamou-me tanta atenção em você.
- O que? o fato de você me achar uma puta? - Coloquei minhas mãos em meu joelho e apoiei minha cabeça ali mesmo. Eu estava me sentindo uma idiota e quase nunca me sinto assim... Quem era eu?  E o que fizeram comigo?
- Não fica querendo me tratar mal agora não - Ele defendia-se - Não te obriguei a fazer nada!
 - Mas quase isso - Tirei as mãos dos meus joelhos e suspirei - O que, exatamente, passa dentro dessa sua cabeça oca, James?
 - Passa que você fica aí, se fazendo de durona, mas não é nada disso. Passa que você insiste em dizer e pensar que eu sou prepotente  e acho que o mundo gira ao meu redor, mas a única egocêntrica aqui é você. - James  jogou-se descansado em seu banco e virou sua cabeça deitada  para olhar-me. Continuei séria, olhando para frente e fora dali porque na verdade eu nem prestava muita atenção no que ele estava dizendo.
- Para com isso... - Ele disse por fim buscando minha mão que estava jogada ao meu lado no banco. Tratei de levá-la ao meu colo antes que David a alcançasse. Ele instantaneamente rolou os olhos com esse gesto.
- E o que você espera que aconteça agora?! Que a gente se agarre mais um pouco antes de voltar para o apartamento de mãos dadas como se isso fosse a coisa mais natural do mundo? Eu posso ser o que for, mas isso foi fora do normal, ok? Eu bebo pra caralho, falo merda pra caralho e sou desbocada pra caralho, mas quando se trata disso aqui- apontei meus dedos para os nossos lábios- É meio complicado.
- Eu quero você, Vitória. - James disse olhando para frente, sem perceber muito o que eu falava.
- E como você tem tanta certeza disso? - Perguntei-lhe.
- Não sei, mas gosto de estar assim... Você me faz bem, é totalmente diferente de mim, mas me faz bem. - James concluiu sua tese olhando para os meus lábios, mas antes mesmo dele fazer algo a mais por ali, resolvi parar com aquilo já.
- Ok, me leva pra casa...

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Perhaps by chance - 6

Ficamos assim, mais ou menos uns 20 minutos até que Érika e David aparecessem sorrindo feito idiotas e fazendo piadas mais idiotas que eles. Pedi pra ir embora e todos concordaram, David e Erika ficaram no banco de trás, até por que nenhum dos dois tinham as mínimas condições de dirigir naquele estado, acho que deveria ter gravado este momento. Erika nunca bebe desse jeito se já bebeu, eu nunca vi. Iria chantagear-la eternamente com isso. James se acomodou no banco do motorista e eu no banco do passageiro. Ligou o carro e parecia concentrado enquanto dirigia. Confesso que queria perguntar o por que dele dirigir assim ou então puxar qualquer tipo de assunto sério com ele enquanto David e Erika brincava com as suas mãos atrás de nós, mas não queria ser a primeira a falar. Embora aquele silêncio fosse muito estressante, não seria eu que o quebraria. Quando paramos em um sinal vermelho, James olhou para mim e eu retribui seu olhar um pouco nervosa e impaciente. Antipatica, seria a melhor palavra. Eu não sou assim, mas acho que ele estava pedindo no momento.
 Para de me olhar com essa cara de bunda - Ele disse simplesmente enquanto batia os dedos no volante. Ignorei sua fala e olhei pela janela para a paisagem, parecia que o tempo havia melhorado um pouco, o frio tinha diminuido e era possível ver uma pequena faixa de um raio de sol no céu. Resolvi prender minha atenção ali. Chegamos finalmente em frente ao prédio e não bastou James desligar o carro até que Erika e David saíssem dele correndo feito duas crianças... Eu não acredito que estou presenciando isto. Eu iria sair do carro também, porém logo após a saída dos dois, James trancou a porta do quarto. 

- O que é isso? Algum tipo de sequestro? - O olhei um pouco confusa e esperei uma resposta.
- Quase isso. - James ligou novamente o carro e começou a dirigir da mesma forma que antes, confesso que fiquei com um pouco de medo da atitude psicopata dele, mas mesmo assim coloquei na minha cabeça que ele não iria me levar para uma viela e fazer algum tipo de violência comigo. Ou não...  James direcionou o carro em algum tipo de viela e o meu coração gelou,James virou-se e se ajeitou no banco, olhando para mim. Respirei fundo antes de virar em sua direção e retribuir seu olhar, por mais que eu fosse do tipo inconstante e com muita disposição pra tudo relacionado ao sexo, eu realmente estava com medo daquele colombiano. 
- Você parece que tem 13 anos Meryelly - James despejou as palavras ali, dessa maneira- Você age como uma adolescente indefesa e depois como uma adolescente revoltada. Você age como uma adolescente. 
- Oi? Você tá falando isso comigo? - Perguntei ainda sem entender muita coisa.
- Você, isso sim! Você ! - James falava como se isso fosse óbvio, mas mesmo assim eu não tinha entendido muita coisa. - Você... não pera. - James fez uma pausa e virou-se para frente com um sorriso sarcástico.  - Você derruba bebida em mim e age feito uma louca me xingando como se eu fosse o causador da aids no mundo... E depois, age como se fosse uma pessoa legal e uma mulher muito bonita por dentro. - James finalizou  seu discurso virando-se novamente para mim. E eu continuava sem entender muita coisa.
Eu não tive muito tempo para digerir o peso das palavras que ele acabara de jogar ali, porque entre os breves segundos que elas saíram de sua boca e atingiram meus ouvidos, James havia avançado em minha direção, segurado meus dois braços e colado seus lábios nos meus. Analisei a situação por uma fração de segundo tentando entender porque diabos ele se encontrava quase em cima de mim e nossos lábios estavam colados. James não fez nada além de tocá-los, esperando para ver o que eu faria, se eu o daria espaço ou não. Segurava meus braços provavelmente para evitar que eu o batesse caso fosse rejeitá-lo. 
E eu continuava estática. Sem beijá-lo mas também sem empurrá-lo. 
James pressionou seus lábios contra os meus para lembrar-me de esboçar alguma reação e lhe dar algum tipo de resposta, mas eu ainda não tinha ideia do que fazer. Ou tinha? 
Era claro que eu tinha! Eu iria empurrá-lo e dizer umas verdades e... Enquanto eu chegava à essa conclusão, James pareceu cansar-se de esperar alguma reação de minha parte e abriu um beijo. Juntei meus braços para empurrá-lo mas a medida que seus lábios aninhavam-se nos meus, eu já não estava mais com tanta força para fazê-lo. Desisti de rejeitá-lo quando sua língua começou a pedir espaço em minha boca e ,fraca, eu cedi. 
Cedi exclusivamente pela situação. Cedi porque eu já estava na chuva mesmo, então que pelo menos me molhasse direito. Não porque eu queria. Não porque eu sentia vontade. 
Quando James soltou meus braços e correu uma de suas mãos pela maçã vermelha do meu rosto, eu pareci ser despertada daquela hipónese doida. Juntei meus braços e o empurrei para longe, tentando sair de toda aquela situação ainda com um pouco de dignidade. James largou-me e jogou-se em seu banco, ofegante. 





Perhaps by chance - 5

 - Cacete - Érika dizia ao descer as escadas com um dos seus saltos nas mãos e o outro no seu pé. Estávamos quase prontas para ir a este tal jantar. Eu não sei como e nem por que aceitei esse convite depois de toda aquela confusão, eu não tenho vontade e nem cara para olhar e passar uma noite ao lado daquele colombiano arrogante e prepotente. Mas, depois de inúmeros " por favor's "  da Érika e de muitas chantagens emocionais do David Luiz...Aqui estou eu ! Pronta e diga-se de passagem, arrasando no look. - Acho que podemos ir, não pera... - Erika foi em direção ao espelho que tinha na sala. - Você acha que eu não estou muito puta? - perguntou
 - Amiga... - Fui até a direção de Erika - Você é uma puta ! - disse sínica só pra vê-la irritada. - Ai, caralho. - Erika deu um tapa na minha cabeça. - Vamos logo, David disse que iria nos esperar no hall do prédio.
- Espero não me arrepender disso...- Erika falou ao sair do apartamento e me acompanhar até o elevador.
O caminho do elevador até o hall foi bem tranquilo...Erika se olhava no espelho em 5 e 5 segundos e eu estava bufando da mesma forma...Logo quando chegamos no hall, pude ver um David Luiz brincando com o cabelo do porteiro ( que por sinal era parecido com o seu ) e O tal do James, encostado no carro...
 - HEEEEEEEEEEEEEEY  - David começou a gritar e a correr em nossa direção. - Achei que iriam demorar mais. - Disse olhando para Erika.
- Oi também, David. - Falei dando um empurrão no seu braço e indo em direção até o carro dele. - Olá, Boa noite. - Falei com o James, que o próprio estava em uma bolha imaginável quando me viu...Digamos que ele estava apresentável e muito cheiroso por sinal, mas ainda assim continuava sendo um -babacaidiotamaleducado-
 - O-o-o-oi. - James começou a gaguejar - Caralho, eu sempre gaguejo. - Comecei a rir da sua falta de jeito. - Desculpa, eu falei palavrão e gaguejei é por que puta que pariu também... - James olhou-me e entramos em uma crise de gargalhadas absurda, até que David e Erika chegaram de mãos dadas até nós.
- Eu também quero sorrir.  - Erika falou apenas por implicância quando me viu sendo idiota com o James.
- Vamos? - David olhou para nós com ar de curiosidade e sem falar nada entrei no carro.
Vinhemos os quatros em silêncio, uma vez ou outra David fazia alguma piada com a Erika e não direcionava nada para mim e nem para o James.Eu já estava ficando incomodada com essa falta de atenção deles, não é assim que as coisas andam não. E enfim... Chegamos finalmente ao lugar que David tinha nos convidado, e bem... Não era nada como um restaurante pacato e bem simples como eu esperava do David... Era uma boate! 

Chegamos em frente à entrada da boate que era chamada KOKO. Achei muito exótica, mas não iria dizer nada para que David não achasse que eu estava implicando com ele e suas escolhas ou algo assim. Avisei que não iria ficar na porta esperando ninguém chegar, e que já estava entrando, que me acompanhassem se quisessem. James  foi logo atrás de mim, e logo Erika e David vinham também. Então entramos os quatro. 
Alguma batida eletrônica tocava mas não a reconheci logo que entrei, algumas pessoas que já estavam bêbadas um pouco cedo demais dançavam como se estivessem em uma rave e o DJ parecia estar tocando algum instrumento de corda enquanto movimentava-se rápido demais em sua mesa de som. Subimos as escadas até um dos camarotes e logo estávamos acomodados. Erika rapidamente encontrou uns amigos, fazendo assim com que o espaço que tínhamos ficasse mais cheio do que o necessário. Não me importei muito, pois o objetivo da noite era fazê-la ficar feliz e com o David , de qualquer maneira. 
Nem eu nem,nem James e muito menos o David, conhecíamos seus amigos, então éramos apresentados mas eu não dava muita atenção. David, como de usual, já estava fazendo brincadeiras com algum amigo de Erika que ele conhecera menos de 30 minutos como se fossem amigos de anos. Então acho que o único momento até ali em que eu tive companhia(tirando o fato do James ficar me olhando feito um babaca idiota) , foi quando a acompanhei até o bar para pegar as bebidas. De resto, David se enturmava com seus amigos e Erika dava atenção a eles enquanto eu estava em um canto sozinha. David e Érika estavam finalmente se conhecendo melhor, ela deixou os seus amigos de lado e foi para o meio da pista dançar com ele, acho que fazia muito tempo que eu não a via assim... Estava concentrada em observar eles, até que o colombiano apareceu em minha frente.

- O que é ? - Perguntei tomando mais um gole da minha cerveja. 
- Como? - James apontou o dedo para o meu copo e fez uma cara de nojo. 
- Como o que? O que foi ? Tem algo de errado com meu copo? - Perguntei analisando o meu copo, será que alguma barata tinha pousado ali e eu não tinha visto?
- Como você consegue tomar isso? Eca!- James jogou-se ao meu lado do sofá e voltou sua atenção para Érika e para David.
- É bom,ok? Você que é muito chato. - Bufei e fiz o mesmo que ele. - Estão se divertindo muito, não é? - Comentei.
- Acho que eles combinam...- James falou ainda os olhando.
- O que? - disse arregalando os olhos. - COMBINAM? NÃO NÉ JAMES? 
- Por que não? A Érika não é tão antipática como eu imaginava e o David saberá lidar com ela e suas atitudes futuramente infantis.
- Como sabe disso? - Perguntei 
- Por que já passei por isso. - James agora virava-se para mim e me encarava da mesma forma que mais cedo.
- Seja mais claro. - Fiz o mesmo que ele e esperava que ali poderíamos começar uma conversa de gente civilizada.
- A Daniela...- James começou - Ela era exatamente assim como a Érika, bastante dificil de lidar, sabe? Passei 9 anos casada com ela e até hoje não sei como conseguir passar tanto tempo....
- E como você diz que o David saberá lidar com a Érika? Você nem a conhece. 
- Mas eu conheço o David, Meryelly. Ele sabe lidar com todo tipo de gente, eles darão certo. - James finalizou o assunto e continuo encarando-me e dessa vez retribuir o olhar dele. Ele não era tão babaca e idiota como eu pensava e tinha deduzido...Talvez eu não tivesse dado chances ou espaço para conhece-lo melhor e era isso que eu queria no momento...Conhece-lo melhor!